Quando eu cheguei aqui, minha primeira impressão era que estava entrando numa borracharia, um pouco maior, mais uma borracharia. Tudo muito sujo, pneu pra todo lado e uma ambiente nada agradável. Até então, logo depois da faculdade eu trabalhava fazendo bicos, foi a alternativa que vinha bem aos meus interesses: Trabalhar de carteira assinada, com um salário que não era grandes coisas (e ainda não o é), com a função para a qual me formei. Trabalhar no Distrito Industrial é considerado como uma prisão, você sai cedo de casa (5 ou 6 da matina) pega a condução e só volta de noitinha (7 nou 8 da noite), isso, dependendo da rota. Eu acostumada a fazer meu horário, a fazer minhas refeições em restaurantes que eu escolhia, ter liberdade de ir de um canto pro outro a qualquer hora e principalmente de estar mais perto de meus filhos ia ter que me contentar em comer quentinha e ficar presa o dia todinho. Pois bem, tudo aqui foi novo pra mim. Do ambiente de trabalho a rotina. Interfone era no grito, departamentos indefinidos, salas sem ar-condicionado (só a do patrão que tinha, lógico), computador servia apenas para tirar nota fiscal, internet era coisa do outro mundo, uniforme cada um fazia o seu. Ninguem sabia quem mandava, se o gerente de produção, o de vendas, o vendedor ou o próprio patrão. Contas a receber então, nem se fala, era um tal de paguei pra vc, não foi pra vc, fulano recebeu, não eu não recebi e assim iam ludibriando a empresa. Cadastro de clientes era feito de qualquer jeito. Era uma zona. Eu pensava: O que diachos eu estou fazendo aqui . Caraca! se eu conseguir aguentar 1 ano é muito. Primeira coisa que procurei ter certeza quando fui contratada, era até onde eu poderia ir e a quem eu estaria subordinada. Sabendo disso, procurei desempenhar meu trabalho. Não foi fácil. Primeiro por eu ser a única mulher aqui, segundo por existir uma cultura entranhada de insubordinação, principalmente dos funcionários mais antigos. Sei que me chamavam de chata, disso, daquilo e assim por diante. Continuei fazendo meu trabalho, e sem modéstia nenhuma, acho que fiz um excelente trabalho. Hoje cxistem departamentos específicos, cada setor com seu devido gerente, salas climatizadas, central telefônica e normas para vários procedimentos. Desde a abertura de cadastro (com a devida consulta ao SPC/SERASA) a pagamento de fornecedores, compras de rotina, entrega de material e assim por diante. Recebimentos somente com o Setor de Cobranças, Pagamentos somente com o Setor Financeiro (parece lógico isso, mas aqui não era). Tudo passou a ser muito controlado. Hoje, o computador que antes era uma máquina de datilografia, interliga todos os setores, sem contar que são computadores de última geração, com direito a notebook para o assessor comercial, truck center e o meu, é claro. E a internet que era coisa do outro mundo já faz parte da vida da empresa, minha máquina fica conectada direto. O parte financeira, de produção e estoque é todo "amarrado" no Sistema. Sistema que eles já possuiam, mas só usavam 10 por cento da capacidade do programa). Se voce quiser qualquer informação de 2001 pra cá, basta dar um click, tá tudo lá. Da Produção a Diretoria. Sim, porque hoje temos um diretor, temos até missão, organograma de funções e tudo o mais. Daquela borracharia que eu não dava nada por ela, hoje é a maior Recauchutadora da Região Norte e Nordeste da nossa autorizada, não apenas por conta do meu trabalho, lógico que tem toda uma equipe trabalhando para chegarmos a este ponto. Mas sei que uma parte desse sucesso, sem dúvida alguma, tem um dedinho meu. Dia 31 fez 6 anos que estou aqui. Hoje posso dizer que profissionalmente estou realizada. Adquiri muito conhecimento e maturidade na arte de gerenciar, trabalho com o que eu realmente gosto de fazer, pude colocar na prática muita coisa que aprendi na faculdade. Apesar de ainda não ser a Líder que gostaria e de ainda ter que a CADA dia mostrar o meu trabalho, espero ainda passar uma boa temporada por aqui.